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Se a rinoplastia estética é por si própria uma intervenção complexa, é frequente depararmo-nos com a dificuldade acrescentada de operar um paciente operado anteriormente por nós próprios ou por outro cirurgião. Mesmo em mãos experientes, a cirurgia do nariz não costuma ter grande número de complicações, não obstante, devido à variedade de tecidos que apresenta o seu resultado, oferece um grau de incerteza que faz com que entre 10 e 20% dos pacientes operados primariamente tenham de se submeter a um ou mais retoques ou reintervenções. Este facto deverá ser referido ao paciente antes da operação, uma vez que tem de estar preparado para aceitar uma nova cirurgia se fosse necessário. É mais, dependendo da gravidade da deformidade provocada por uma rinoplastia da qual se esperava uma melhoria, o efeito poderá ser dramático, ao ponto de poder chegar a desequilibrar o paciente ou, no mínimo, alterar a relação e confiança no cirurgião, com todos os problemas que isto acarreta.
Face a um resultado deficiente, é necessário saber esperar e acompanhar a evolução, prestando todo o apoio emocional que o paciente precisar. Apesar das pressões, não devemos reoperar antes dos seis meses e, inclusive, o normal é esperar mais de um ano até desaparecer totalmente o edema. Este tempo pode ser inferior quando o problema se deve unicamente a uma fractura.
É sempre aconselhável ser o mesmo cirurgião a realizar os procedimentos necessários para levar a bom porto a correcção, embora seja imprescindível que persista a confiança do paciente no mesmo. Caso contrário, irá recorrer a outro profissional. Nós, por norma, tentamos evitar ter de operar estes pacientes, fomentando a reconciliação do paciente com o seu anterior cirurgião. Se isto não fosse possível, e aceitássemos operar, devemos ter em conta que nos encontramos diante de um paciente que, no mínimo, está inseguro, desconfiado e carregado de ansiedade e que, face a uma operação complexa, será muito crítico relativamente ao resultado. É mais, a partir desse momento assumimos um resultado final no qual não se terá em conta se estava bem ou o mal anteriormente.
Quando nos deparamos com um paciente já operado anteriormente cujo desejo é alterar o seu nariz, ou que se queixa de algum defeito em consequência da intervenção anterior, a primeira coisa que fazemos é solicitar o seu próprio julgamento estético: isto proporciona-nos não só uma ideia da realidade da sua análise, como também nos demonstra a sua capacidade de observação. O descontentamento poderá dever-se tanto à presença de uma leve anomalia, como também a uma grave sequela ou, simplesmente, à insatisfação estética do resultado. Torna-se sumamente importante, assim sendo, uma avaliação do seu estado psicoemocional e das expectativas relativamente à intervenção. Se a deformidade for real, as forem expectativas razoáveis e o entendimento adequado, analisamos o nariz e o seu meio envolvente.
A rinoplastia secundária requer, como é óbvio, um conhecimento rigoroso tanto da anatomia e fisiologia normais, como das mudanças anatómicas e alterações funcionais que pode envolver uma rinoplastia. Além disto, exige uma cuidadosa técnica operatória e os recursos suficientes, de forma a podermos aplicar os vários procedimentos existentes para a correcção de cada deformidade. A escolha deverá fazer-se com suma precaução e estar sempre encaminhada para atingir o resultado que temos em mente.
Tratamento dos defeitos nasais secundários
Para facilitar o diagnóstico dos defeitos nasais e, portanto, indicar o procedimento a seguir para a sua reparação, tanto as alterações primárias, como as que derivam de uma cirurgia estética prévia, podem localizar-se ou afectar a cobertura cutânea e tecidos moles (pele, tecido celular subcutâneo e musculatura), o nariz interno ou cavidade nasal, a ponta, o dorso (estrutura osteo-cartilaginosa) ou as asas. 
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